Novembro 26, 2009

Olhar de Marinheiro


Gafanha da Nazaré, Março de 2008

Numa porta... a História


Barcelona, Abril de 2009

Outubro 27, 2009

O que levamos dentro?


Vila Nova de Gaia, Abril de 2009

Gran Vía


Madrid, Abril de 2007

Luz e sombra


Porto, Setembro de 2009

Agosto 16, 2009

Esboço do tempo


Tomar, Julho de 2009

Agosto 04, 2009

West End



Londres, Novembro de 2008

Agosto 01, 2009

A noite em Alfama


Lisboa, Setembro de 2006

Julho 30, 2009

Cinquanta-quatre


Barcelona, Junho de 2009

Julho 13, 2009

Enrolado


Zamora, Junho de 2006

Julho 11, 2009

Uma questão de fé


Barcelona, Junho de 2009

Julho 10, 2009

Terra, pedra e céu


Ávila, Abril de 2009

Dois olhares


Barcelona, Junho de 2009

Junho 11, 2009

Um fio de tempo


Vila Nova de Gaia, Abril de 2009

Maio 19, 2009

Em dias assim...


Serra da Freita, Janeiro de 2008

Abril 15, 2009

Lá no fundo


Londres, Novembro de 2008

Março 16, 2009

À espreita


Lisboa, Outubro de 2008

Março 15, 2009

Do vento nos pinhais


Serra do Alvão, Janeiro de 2009

Ao longe já palpitam os pinhais
quietos ao vento se dão
em abandono...
e é quando neles vislumbro força
que entristeço
por não ter eu também raiz
nesse lugar onde aconteço.

By the Thames I


Londres, Novembro de 2008

Março 04, 2009

Final de tarde...


Cabo Espichel, Setembro de 2008

Final de tarde,
o revoar dos pássaros
revela a desbotada luz
dos nevoentos sonhos por cumprir,
quisera eu ser de pedra
quando minha alma se perde a sonhar
de maré em maré
nessa estrada longa rente ao cais.

À noite,
erguem-se distantes os muros
de todos os dias perdidos...

Fevereiro 23, 2009

Essência desconstruída


Paris, Dezembro de 2008

Inquietos andam
os espíritos à colecta

nas vielas escuras onde moram os poetas.

Palavras não ditas são fugas
augúrio de laços quebrados
no lento alvorar da manhã,

procuram-lhes o sentido
resgatadas que foram dos versos
como em vagas de loucura
as palavras insurrectas
letra a letra som a som.

(Essência desconstruída),

no âmago dos poetas
a soma das palavras
é mais que o mero verso revelado.

Fevereiro 21, 2009

Despontar da flor


Porto, Outubro de 2008

Das promessas esquecidas

O gato entra-te em casa
aconchega-te a solidão
dispersa entre paredes e silêncios.
Esquecidas que foram as promessas
apagas a luz e retumbas
no embalo incandescente
dos antigos dias de sol.

Fevereiro 20, 2009

Shield


Londres, Dezembro de 2008

Fevereiro 11, 2009

A hora incerta


Cabo Espichel, Setembro de 2008

Era lenta a cor do horizonte
o tumulto dos pardais apaziguado
pelas ninfas estelares de teus olhos marejados.

À hora incerta
onde vais quando caminhas
para lá de ti?

Sem tempo


Paris, Dezembro de 2008

Alva tarde



Lamas de Olo, Fevereiro de 2009

Janeiro 30, 2009

Porto de chegada


Afurada, 2 de Novembro de 2008

Janeiro 28, 2009

Da chuva que cai...

Da chuva que cai se tece a lembrança
dos dias pardos de solidão
esses que até a razão suspeita serem ocos
antes das súplicas e das mágoas
nos mausoléus da memória se encerrarem.

Lustre de solidão
pela janela desliza a gota dúbia
jamais encontrará a face dos amantes
inventado que foi outro caminho
no lento percorrer das alvoradas.

Janeiro 14, 2009

Que o silêncio se espraie em nós...

Que o silêncio se espraie em nós
quando as pétalas das flores que te dei
pintarem estrada fora
todos os sonhos das horas que hão-de vir…

Dezembro 28, 2008

Silêncio do bosque


Paradela do Monte, Novembro de 2008

Dezembro 27, 2008

Última luz


Afurada, Novembro de 2008

Novembro 01, 2008

Dunas


Caminha, Maio de 2008

Outubro 24, 2008

Reflexos do quase noite


Serra do Marão, Setembro de 2008

Lisboa de todos


Lisboa, Setembro de 2008

O repouso do olhar


Louredo, Outubro de 2008

Outubro 20, 2008

Outono para ti




Porto, Outubro de 2008

Outubro 17, 2008

Reflexo ou miragem?


Cabo Espichel, Setembro de 2008

"À porta daquela igreja..."


Lisboa, Setembro de 2008

Outubro 04, 2008

Outono no parque



Porto, Setembro de 2008

Setembro 15, 2008

O verde na pedra


Paradela do Monte, Setembro de 2008

Mais perto do paraíso...


Serra do Marão, Setembro de 2008

Plástico vs Tecido



"Um aniversário no século XXI", Setembro de 2008

Setembro 08, 2008

Um calor que aconchega


Paradela do Monte, Setembro de 2008

Setembro 06, 2008

Porto à beira-rio


Porto, Fevereiro de 2008

Setembro 03, 2008

Ao céu profundo


Salreu, Março de 2008

Setembro 02, 2008

Um ar de deserto


Jardim Botânico, Porto, Agosto de 2008

Maio 16, 2008

Rente às águas...


"Ria" de Aveiro, 24 de Fevereiro de 2008

Maio 15, 2008

Um aconchego de névoa...


Serra da Freita, 29 de Abril de 2008

Maio 04, 2008

Final de tarde à beira-rio


Afurada, Vila Nova de Gaia, 1 de Dezembro de 2007

Maio 01, 2008

Primavera em flor


Porto, 23 de Fevereiro de 2008

Restos de Outono


Porto, 23 de Fevereiro de 2008

Abril 29, 2008

Hoje deste-me um nome


Miramar, 18 de Janeiro de 2007

Hoje deste-me um nome
um nome que eu não queria
nome não pronunciado
gravado em pedra fria.

Hoje deste-me um nome
soube-me ao pó da estrada
às horas por ti choradas,
ilusões são sempre sonhos
ou esperas inacabadas?

Hoje deste-me um nome
vi bater na pedra gasta
cada letra e cada marca
fragmentos de ti em mim
cravados p’lo vento que passa.

Hoje deste-me um nome
quis morrer p’ra não chorar
o lamento desse nome
dentro de mim a morar.

Hoje deste-me um nome
e sem saberes fechou-se o dia…

Quando a chuva embala a tarde...


Porto, 23 de Fevereiro de 2008

Quando a bruma se arrepende...


Serra da Freita, 20 de Abril de 2008

Abril 28, 2008

Embrace

Je t’embrasse,
es-ce que tu vois le ciel?
Je t’embrasse,
es-ce que tu vois la mer?
Je t’embrasse,
tes mains mon ciel
tes lèvres ma mer
tes yeux comme l’intimité de mon âme.

Cai a tarde


Salreu, Estarreja, 16 de Março de 2008

Destroços


Vila Nova de Gaia, 18 de Janeiro de 2007

Abril 18, 2008

Para onde caminhamos?




Porto de Aveiro, 22 de Fevereiro de 2008

Fevereiro 06, 2008

Azul e amarelo


Vila Nova de Gaia, 30 de Abril de 2006

Fevereiro 05, 2008

Oceano


Cabo Espichel, 1 de Outubro de 2006

Fachadas do Porto I


Porto, 3 de Fevereiro de 2008

Fevereiro 04, 2008

Azul e rosa


Ponte de Lima, 20 de Junho de 2006

Banco de jardim


Vila Nova de Gaia, 1 de Dezembro de 2007

Novas urbanidades IV


Vila Nova de Gaia, 15 de Junho de 2007

Murais



Porto, 3 de Fevereiro de 2008

Fevereiro 03, 2008

Fachadas de Lisboa II


Lisboa, 1 de Outubro de 2006

Fim de tarde


Arouca, 21 de Janeiro de 2007

Fevereiro 02, 2008

Verde


Ponte de Lima, 20 de Junho de 2006

Fevereiro 01, 2008

Fachadas de Lisboa I


Lisboa, 1 de Outubro de 2006

Janeiro 30, 2008

Espelho d' água


Rôge, Vale de Cambra, 28 de Janeiro de 2008

Uma janela de Lisboa


Lisboa, 1 de Outubro de 2006

Janeiro 26, 2008

Inutilidade do beijo


Vila Nova de Gaia, 5 de Maio de 2007

Janeiro 25, 2008

Corvos de Lisboa


"Corvos", Lisboa, 29 de Março de 2007

Entre heras


Amares, 12 de Fevereiro de 2007

Janeiro 24, 2008

Abrindo a porta


"Porta", 21 de Novembro de 2007

Janeiro 23, 2008

Beira-mar


Miramar, 18 de Janeiro de 2007

Se todas as horas...


Se todas as horas fossem como esta
não haveria medo ou maré-baixa
só o retrato dos teus olhos de verde-mar espelhados
reflectindo a luz alva da manhã.

Se todas as horas fossem como esta
as palavras seriam aleluias
ou pétalas brancas de açucenas e as tuas mãos
o eterno poiso das aves no meu jardim.

Se todas as horas fossem como esta
não haveria outra hora para além desta
nem lua talhada ao meio nem beijos inacabados
sabendo à laranja amarga dos primeiros dias de Janeiro.

Se todas as horas fossem como esta
das horas mostradas sairiam dias e dias
segundos seriam longa demora
no doce correr das noites eternas.

Janeiro 22, 2008

Escolher o caminho


Pinhão, 23 de Julho de 2007

Rendilhado


Ponte D. Maria Pia, Porto, 20 de Outubro de 2007

Janeiro 18, 2008

Poente


Foz, Porto, 8 de Abril de 2007

Aberta ao tempo


Vila Nova de Gaia, 12 de Novembro de 2006

Janeiro 17, 2008

Espera


Porto, 15 de Abril de 2007

Parado no tempo que passa
só a espera compassa as horas à espera,
(...)
talvez voltes um dia
se a quimera ainda for o que dela se espera
ou se o que de ti espero
tiver valido uma tão grande espera.

Reflexo


Constância, 11 de Março de 2007

Janeiro 15, 2008

Café e chá



"A Pérola do Bolhão", Porto, 2 de Março de 2007

Janeiro 14, 2008

Menino de pedra


"Menino de pedra", Barcelos, 13 de Janeiro de 2007

O menino de pedra não chorava nem ria,
camuflada a essência de sentir
a todos olhava e via
e tantas vezes sofria
ao fundo do seu jardim,

furtivas presenças
olhares fugazes
ligeiros toques de mão.

Assim passou o tempo
o menino de pedra que não chorava nem ria
sentindo que se chorasse outros ririam
do que da pedra brotaria, em demorada invernia
dele a querer fugir.

Entre névoa


Serra da Freita, 6 de Janeiro de 2008

Dezembro 02, 2007

Três Luzes


Campo Maior, 10 de Agosto de 2007

No mercado I


Mercado do Bolhão, Porto, 12 de Maio de 2007

Dezembro 01, 2007

Quase noite


Afurada, Vila Nova de Gaia, 1 de Dezembro de 2007

Novembro 30, 2007

Restos de Outono



Parque Biológico, Vila Nova de Gaia, 28 de Novembro de 2007

Engrenagem


Minas de Regoufe, Arouca, 7 de Outubro de 2007

Novembro 01, 2007

Luz no escuro


Vela, 2 de Outubro de 2007

Outubro 07, 2007

Na gaiola


"Na gaiola", Porto, 7 de Outubro de 2007

Setembro 30, 2007

Novas urbanidades III



Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, 22 de Abril de 2007

Ruralidades II


Burrito, Almeida, 17 de Maio de 2006

Setembro 28, 2007

Lutador


"Lutador", Ílhavo, 30 de Junho de 2007

Setembro 27, 2007

Para ver na noite


"Para ver na noite", Campo Maior, 10 de Agosto de 2007

Após um Verão


Serra da Freita, 16 de Setembro de 2007

Setembro 24, 2007

Dois sentidos



Dois sentidos, Porto, 9 de Junho de 2007

Setembro 22, 2007

Ao vento


Moinho de vento, Fazarga, 4 de Maio de 2007

Setembro 20, 2007

Entre dois braços

Perdido está o mundo entre dois braços
fria desventura de sangue aturdida
ao vento exposta sobre bandeiras negras.

Trémulas estão as mãos vazias
voraz torpor corrompendo os sentidos,
oh almas gélidas,
oh lágrimas de mãe
procurando entre pedras e pó
a impune espada da morte sempre achada.

Vagos são os lamentos
quando à beira-mágoa desponta a fria manhã
de infinito vazio revelada…

Ao termo do caminho ainda estarão lá, as mães.

Novas urbanidades II


Porto, 31 de Maio de 2007

Tanto Porto... tanto Douro


Rabelo "Quinta da Cavadinha", Cais de Gaia, 24 de Junho de 2007

Setembro 19, 2007

Rompem-se as horas

Estranho juízo em vago lugar,
de névoa são as brancas mágoas
com que padeço ao luar.

Rompem-se as horas
num fio de tempo tecido a rigor…

Perdida foi já a noite
num fresco torpor vindo do mar
tão lesto se foi o encanto
das noites claras sabendo a sal.

Ruralidades I




De pedra, Serra de S. Macário, 3 de Junho de 2007

Setembro 15, 2007

Uma praça da cidade III



Praça Gomes Teixeira, Porto, 13 de Setembro de 2007

Setembro 13, 2007

Vida de Mar




Vida de mar, Afurada, 26 de Junho de 2007

Setembro 12, 2007

Água


Canal de água, Ponte de Lima, 23 de Abril de 2007

Setembro 11, 2007

E em silêncio nos despedimos...

E em silêncio nos despedimos
no teu olhar a lembrança dos dias vividos
no meu, o desejo dos dias por viver.


De mim se abeira a saudade
quando em rio me transformo
no lento navegar dos dias perdidos.

Para onde me levas solidão?

Aqui perdido,
só ouço o murmúrio das águas
e o vento fresco nos pinhais
tudo o mais é silêncio
até que voltes para mim.



Setembro 10, 2007

Camões


Estátua de Camões, Porto, 1 de Maio de 2006
...
Aqui e além o finito
e tantos mares por descobrir!
Não sei se vivo ou se finjo
mas sinto.


Setembro 09, 2007

Um quase noite



Porto, 9 de Junho de 2007

Agosto 08, 2007

My pale sweet moon


Luar, Porto, 2 de Maio de 2007

In an horizon of tranquillity
I’ve sailed your sea
my pale sweet moon,
climbing imagined hills
floating inexistent seas
I believed colours can be true
between you and me.

But where are you now
my pale sweet moon?
Maybe you can come
on this late afternoon
bringing me the sweet
of your sweetest gloom.

Dark red is my heart
deep blue is my soul
since you’ve gone away
faded on a shade,
my pale sweet moon
fading on a pale sweet shade.

But where are you now?
Maybe you can come
on this late afternoon
bringing me the sweet
of your sweetest gloom.

oh my pale sweet moon
bring me the sweet
of your sweetest gloom,
oh my pale sweet moon
come and tell me why
I’ve lost you so soon.

Julho 06, 2007

Túneis de luz


Túneis de luz, Porto, 29 de Abril de 2007

Noite na cidade

Noite na cidade
escura face de ilusões projectadas,
dos prédios onde alentos e desalentos repicam
saem vozes,
encontros e desencontros
que só terminam com o chegar da alvorada.

Noite na cidade,
dor cravada na aparente madrugada
dormência sem pressa de acabar,
do tanto que se descobre e encobre
tanto fica ainda por descobrir
encoberto em silêncios
que moem destinos.

Junho 30, 2007

Uma praça da cidade II




Praça General Humberto Delgado, Porto, 31 de Maio de 2007

Junho 29, 2007

Sobre a pedra...


Pedra de luz, Pinhão, 12 de Outubro de 2006

Sobre a pedra se declara a luz
ao despontar a manhã
ali se inventa num cruzar de tempo
um recado desvelado em jeito de refrão.

Deslizam em cadência gotas de água
entre pétalas de silêncio carmesim…

Junho 25, 2007

Curvada ao tempo


Curvada ao tempo, Serra de São Macário, 3 de Junho de 2007

Junho 24, 2007

Amarram-se verdades

Amarram-se verdades
vontades necessárias
ancoradas em terras sem mar,
rios de fantasias
mares de desassossegos
ondas que vão e que vêm
sem nunca sair do mesmo lugar.

Uma pedra marca o destino
os erros que cometemos
em tudo o que ficou por fazer,
o tempo dos vivos
correndo num tempo morto
o tempo dos espíritos
parado num tempo sempre vivo.

Junho 13, 2007

Novas urbanidades I


Porto, 2 de Junho de 2007

Entre cidades

Na cidade que nos acolhe
são espelhos d’água todos os caminhos
plácidos os olhares que se cruzam em silêncio
de maresia perfumados todos os momentos.

Agora noutra cidade
entre veredas de saudade
espraio tristuras na imensidão das águas
indago silêncios em horizontes crepusculares.

Da memória desfaz-se o nó
que ao coração se prendeu
ficaram só vagas lembranças
triste fado ou erro meu?

Junho 07, 2007

Um pouco de Primavera



Jardim Botânico, Porto, 29 de Abril de 2007

Depois de um adeus

Vagueiam luzes escuras
nesse céu plúmbeo pouco nítido
ancorado sob o vagar do tempo
espraiado sobre a vastidão do mar.

Expiram silhuetas
esfumam-se os sentidos
tudo fica mais triste depois de um adeus,
a ilusão em passo largo partiu
a saudade ancorada no peito ficou,
não sei se vivo
ou se finjo
mas ainda assim
espero sempre pela luz
que me trazem os dias de Outono.

Junho 03, 2007

E depois dos fogos...


Moldes, Arouca, 3 de Junho de 2007

Junho 01, 2007

Uma praça da cidade I




Praça D. João IV, Porto, 31 de Maio de 2007

Maio 25, 2007

À deriva




Fragmento de um nada à deriva
venho render-me
diante do promontório da saudade,
o sopro de vento que embala a tarde
tem a cor da maresia e a sombra dos pinhais,
silhuetas esquecidas povoam esse fio de devir
onde se acama a estrela abençoada
no longo tecer dos dias.

Cai em sombras essa luz que me abandona...






Abismo, Cabo Espichel, 1 de Outubro de 2006

Maio 24, 2007

Geometrias



Geometrias, Ponte Luis I, Porto, 5 de Maio de 2007

Nesse olhar

Escondes das palavras
emoções que flutuam sem destino,
nesse olhar com que me matas
mortas são as lágrimas das palavras não choradas.

Um instante de devaneio talvez
mas os sonhos não são sempre ilusões
disfarçadas de quimeras?

Encobres numa sentença
memórias que estão por vir
que as passadas há muito jazem ocultas
entre desbotadas mortalhas de linho.

Maio 23, 2007

Entre malhas




Entre malhas, Afurada, 25 de Fevereiro de 2007

Maio 22, 2007

Aconchego


Bosque de Bruma, Serra da Freita, 20 de Fevereiro de 2007

Pela estrada fora navego
toda a névoa tombada sobre mim,
caminho longo
estreita-se a distância
dilatada pela invernia
ao pensar no teu abraço terno.

Dissolvem-se no ar
os fumos secretos dos nevoeiros
quando em tuas mãos me aconchego
nelas descubro o segredo
de sempre sentir ser cedo
para sem elas partir.

Dias agitados


Dias agitados, 20 de Maio de 2007

Rio de pó

Rolam pedras sobre um caminho aberto
soltando a poeira que ecoa baixinho
som que se confunde com o silêncio
ou o silêncio que se torna som.

Outrora um rio pouco profundo,
a água fluía agitada
soletrando no ar um sopro de vida
a cada instante revelado.

Rasgo de ilusão
metamorfose profunda,
sob um céu pardo de espanto
o assombro de um caminho de pó.

Maio 17, 2007

Aqui e além

Morre-se por tudo
vive-se por nada
aqui e além o finito
para lá do bosque
e do rio que nos separa
um caminho por descobrir
o tempo sem tempo
ou o descanso de não ter pressa.


Ilusões são tudo o que tenho
para além do céu

e desse azul que enegrece.

Maio 16, 2007

Cansaço


Retalhos de Chaimite, Museu Militar do Porto, 2 de Março de 2007

Pressente um caminho distante
no final de tarde adormecido
que queria poder esquecer.

Vozes de guerra
sopram-lhe ao coração,
nos sonhos um horizonte longínquo
difícil de alcançar
num fio-de-prumo de dias cinzentos.

Rios de sangue correm para o mar
contracorrente,
ao sabor do poder de alguns.

A espera


A espera, Porto, 12 de Maio de 2007

Afloramento

A solidão será uma praia vazia
onde te procurarei sempre que o Inverno chegar.


Afloramento na areia, Miramar, 15 de Dezembro de 2006

Maio 11, 2007

Emparedado




Emparedado, Vila Nova de Gaia, 28 de Fevereiro de 2007

Cumplicidades


Pombo, Mercado do Bolhão, Porto, 2 de Março de 2007

Vem comigo poeta
sente ao longe este mar que se parece
com os teus olhos a chorar.


Chora comigo poeta
sente o grito da ave ferida
e o silêncio das almas perdidas.

Sonha comigo poeta
olha a névoa que povoa esta manhã
e o horizonte que te rouba o sol.

Sente comigo poeta
amarra a saudade ao promontório sagrado
entre céus de incerteza e mares de tranquilidade.

Vem comigo poeta, dá-me a mão
só tu compreendes este viver
disperso entre palavras e quimeras...
.
um rio de memórias que nos une
neste imenso mar que nos separa.

Maio 10, 2007

(Des)construção

As paredes ainda ressoam as horas de trabalho de muitas mãos calejadas que tudo deram, (des)construção de ensejos de uma mesma razão, (des)construção da vida daqueles que por ali passaram em busca de pão.



Fábrica em ruínas, Valongo, 22 de Abril de 2007

Ao correr da noite



Metro, Porto, 18 de Abril de 2007

Vácuo

Num abrir e fechar de olhos
um instante de solidão
um segundo de desconcerto
suspenso no frio sopro do silêncio.

Vácuo de tudo,
quando deres por ti
serás pedaço de nada à deriva
correndo no abismo dos enganos
(preso a uma pedra que mói

jamais poderás fugir).

Abril 25, 2007

Lembrar Abril



33 anos de Abril, Porto, 25 de Abril de 2007

Ao leme


Homem do Leme, Porto, 8 de Abril de 2007

Imagem desaparecida na mancha urbana, embarcas nessa viajem sem rumo, é indiferente pensar para onde vais, tudo à volta está vazio, só há o nada que é agora tudo quanto se consegue sentir.
Embarcas nesse vago caminho que vês por diante, o fio do tempo prossegue a caminhada contra ti, tempo que queres ver parado, onde estão os deuses do tempo? Queres falar com eles e voltar à manhã de todas as ilusões, ou mesmo à noite, repetir momentos, fugazes sensações que julgavas impossíveis. Onde estão os deuses do tempo?
Prossegues a viajem, paras mais à frente com o mar diante de ti, ali mesmo revês o passado recente, sensação de saudade esculpida nas ondas alterosas desse oceano solitário que tens diante de mim. Ficarás aí até escurecer e depois até clarear, talvez a manhã perdida volte após o anoitecer. Só esse lugar te faz voltar atrás, água, sal e um céu que te faz chorar.

Anoiteceu em ti, sentes o sal trazido no vento que te corta os sentidos, mesmo assim queres senti-lo, faz-te sentir vivo, ainda que entorpecido pela luz escura desse céu que agora te acompanha. Esperas sentado por esse momento em que a luz revela a imensidão do mar que tens diante dos olhos. Tudo à volta é silêncio e escuridão, o cenário implacável da espera e da ilusão, não te atormenta o silêncio entre o som das vagas alterosas desse mar errante. É de mar o silêncio que sentes, imenso, misterioso, pacificador. Aí e agora, só ele pode ser testemunha do que sentes, só ele e a orla da noite sob a qual te abrigas do ar fresco pressentido da manhã. Não te atormenta a escuridão, é belo o manto negro da noite mesmo quando a ânsia pelo amanhecer é mais forte do que a beleza que sempre se adivinha na estrela mais longínqua.

Não queres dormir nem sonhar, procuras apenas estar assim como estás, absorto num sentir contemplativo que te apraz e consola. Queres estar assim, vivo e desperto, ouvindo o mar no seu bramir constante, queres aprender esse grito ofegante das águas quando tocam a pedra gasta, voz de lamento ansiando por repouso em orla de areia, ancoradouro dourado num descanso de baloiço, bonançoso, lânguido e sereno.

Abril 22, 2007

Collateral mistakes

Red clouds in the horizon
climbing shady little mountains
trees should be in blossom now,
spring brings green leaves
and fresh perfume
but don’t you feel this desert breeze
driving scents of gloomy dust?

Be care about some quakes
and their collateral mistakes
they are simple shakes
growing up in waves.

Secret things you dream
bitter things they say
dreaming you can live
all your secret dreams.

Abril 16, 2007

Olhar a solidão

No cair da noite recusam voltar
ao um âmago donde sairam,
frio abrigo de portas abertas
à bruma dos dias em cada despertar.

Cheios de vida
trazem na alma vazia
uma estrada sem saída
para o colo e a ilusão,
erram peregrinos
por tantos caminhos
satisfazendo o destino
que outros lhes traçaram.

Flutuam noutras águas
à procura do aconchego perdido
miragem querer achá-lo
no abismo desse deserto sem fim.

Silêncio


Caminhando, Porto, 2 de Março de 2007

Entre o desmando e a desdita
regressa ao silêncio
que entoa profundo
naquele seu secreto ermo
que queria poder esquecer.

No longo caminhar solitário
tudo é imóvel e pouco nítido,
até o escuro se desfigura
quando os olhos se fecham imaginando
as formas imprecisas do que sente.

Abril 12, 2007

Na beira-mar do teu olhar


Entardecer, Porto, 8 de Abril de 2007

Na beira-mar do teu olhar
descobri o segredo de te amar
e nesse sossego
senti que bem cedo
o luar nos viria abraçar.

A noite lenta caiu
o dia inquieto raiou
esperei o luar
mas o luar não chegou.

Na beira-mar do meu olhar
descobri o segredo de te amar
e nesse aconchego
senti que bem cedo
uma lágrima me viria consolar.

A noite lenta caiu
o dia inquieto raiou
esperei o luar
mas o luar não chegou.

Abril 04, 2007

Sentimentos de algodão


Flor, Junqueira, 28 de Fevereiro de 2007

Horizontes de sonho esfumam verdades
ondas de saudade em mares de solidão
sentimentos de algodão aparelhando ilusões.

Amarram-se as vontades
ao cais do desassossego
com tantos mares por descobrir.

A minha alma
um cofre inerte e fechado
guardando à chave a porta do coração.

Abril 03, 2007

Perdido no mar


Gaivota, Porto de Aveiro, 21 de Janeiro de 2007

Recordo o chamamento da tua voz
agora que partiste para longe
nesse caminho em direcção ao mar
refúgio sem tempo de acabar.

A sombra imperiosa da lembrança
recolhe-se nas pétalas do silêncio
poderosa imagem desfalecida
de alguém sonhando ainda com o mar.

Sinto a inquietude branca do pensamento
o sopro das vozes e o olhar dos espíritos
sob a chuva morna dos lamentos
que povoam a indefinida noite.

Queria partir também
cruzar o mar no aconchego da saudade
perder-me para sempre
se não chegar a te encontrar.

Alma distante


Homem do leme, Porto, 18 de Fevereiro de 2007

Olhando o céu que se espraia no horizonte
repetindo versos escritos a chorar
o poeta recolhe-se em sonhos e saudade
invocando a força de uma alma distante
que sente junto de si e chora.

Recolhido num promontório de saudade
contemplando a profunda barreira atlântica
dá-se ao vento que o trespassa
navegando o pensamento que se escoa
por entre os olhos rasos d’água.

Março 24, 2007

Hierro y fuego


Tronco partido, Pedroso, 4 de Fevereiro de 2007

Echo de menos a los robles
que poblaban el valle,
el río soplaba risas
ahogaba todas las tristezas.

Ahora ya no hay río
ni risas,
tristezas las hay
en la mirada de los niños
que no tienen la sombra de los robles
testimoniando su primer beso.

Sobre aquel lugar una sentencia
firmada a polvo y pólvora
después de la cárcel
solo habrá hierro y fuego.

Março 17, 2007

Um dia distante

Um dia distante
cor de tudo
anuncia-se em cada horizonte
de tons suaves definido
orientando a direcção
da luz alva da manhã.

O ondular do vento
de profundos silêncios definido
acompanha o correr das águas,
luz permanente
sombra constante
num mundo que sobrevive.

Março 14, 2007

Dois braços


Carregando o tempo, Porto, 2 de Março de 2007

No fio do tempo
do presente perdido
caminha cansada
entre memórias passadas
e promessas de futuro.

A cada passo
revela ainda uma força
que já ninguém vê
nessa ilusão de fraqueza
que temem conhecer.

Dois braços resistem
ao peso das horas lentas
no longo correr dos dias.

Março 10, 2007

Procura


Lampiões, Porto, 23 de Fevereiro de 2007

Procuro por ti
e em todo o lado te encontro:
nas folhas que povoam a alameda dos plátanos
no mar que profetiza as primeiras nuvens
após longos meses de estio.

Procuro por ti
e em todo o lado te encontro:
nas ruas vazias da cidade antiga
na chuva morna de lamentos
caindo mansinho sobre as pedras da calçada.

Março 09, 2007

À proa

À proa,
um homem conduz o seu destino
encobre o medo na maré-alta
foge de si.

Ouve vozes
soprando silêncios
desde mares desconhecidos
em terras sem sal.

À proa,
um homem conduzia o seu destino…
lançou amarras em terra firme
perdeu-se de si.

Ausente


Porta fechada, Paço de Sousa, 2 de Março de 2007

Uma porta por abrir
num castelo de brincar
alimentando a saudade
em cada regresso adiado.

Irrompe da névoa o poeta
perdido em sonhos
promessas ao vento
memórias vãs.

A medo escreve um verso
(uma palavra chegava)
o cheiro da tinta
o gesto da pena
toldam-lhe o pensar.

Um brusco sentimento
resvala do seu olhar
vai de encontro às águas
confunde-se com o mar.

O poeta está vivo
mas a alma está ausente.

Março 07, 2007

À janela da manhã


Despojos, Afurada, 28 de Fevereiro de 2007

Acordou no desconforto de um sonho desfeito com o irromper da mesma canção de sempre. Não sabe onde está, o escuro ainda lhe embala o olhar e a porta aberta não faz suspeitar que o ar corre parado inebriando as paredes brancas do pensamento. A manhã irrompe por onde pode através de pequenos feixes de luz que espreitam acanhados à janela, equilíbrio de cores claras numa manhã de poucos tons.
Sozinho não está mas ainda assim parece mesmo que o mesmo gesto de sempre, um pequeno afago-reflexo no seu ombro direito o desperte finalmente para a vida, um dia novo a começar que desejava ver transformado numa nova vida, num novo acordar.

A manhã acordou estranha, a cidade ao fundo, ilusão de beleza entre a mancha urbana do desalento, visão real rompendo a irrealidade do tempo presente.
Já na rua ainda que só em pensamento, caminha sem rumo definido, um início de viagem cujo final se encontra à distância de uma miragem. Se a viajem terminasse já, a aventura prosseguiria ainda, a ilusão encaminhá-lo-ia para o lugar procurado. Não sabe as razões de tudo ser tão estranho mas ao mesmo tempo belo e quase mágico. Continuaria assim para sempre com aquela canção ao seu lado mas o sonhar acordado reacende-lhe os sentidos, refaz os músculos ainda nublados pelo cansaço do dia anterior.

À hora certa a caminhada real, uma despedida em meia dúzia de palavras trocadas entre um único olhar, palavras que soam a ruas escuras sob um céu cinzento. Um rio sujo e ainda mais conspurcado após o olhar que lhe lança sai-lhe ao caminho. Acha-se um poluidor visual! Continua a caminhada, a mesma caminhada de todos os dias, a viagem sonhada já não importa depois da despedida, dos afectos por cumprir, da sensação inacabada que se solta daquele céu cor de chumbo toldado pelos tons pálidos da melancolia. Sente-se realmente um poluidor visual, enegreceu o céu com um só olhar. É certo que só ele o vê de negro vestido mas ainda assim sente que a ele se deve essa mancha de oprimida cor que traz dentro de si.

Sabe onde está mas perde-se entre os olhares que com o seu se cruzam, grita com toda a força, um grito interior que estremece tudo à sua volta. Acha-se um poluidor sonoro! Encheu o ar com o estridente ruído de um som mal definido que lhe chega de dentro e agora sopra aos seus ouvidos. Acha que sabem o que sente, talvez ninguém tenha sentido o grito, o seu grito mas nos olhos, nos seus olhos, sabe que todos podem ler o que alguém não leu há pouco naquele despertar lento ao som da mesma canção de sempre.

Sombras de negro


No templo, S. Pedro de Rates, 28 de Fevereiro de 2007

Pressentem o cair das folhas
que à terra regressam,
tombadas pelo final do estio
que há muito partiu.

Sombras de negro
cansadas de esperar
rendilham o tempo
que nos rostos se acomoda.

Num murmúrio lento
entregue a Deus
esperam pela noite certa
no incerto passar dos dias.

Linha de sonho


Entardecer, Porto, 18 de Fevereiro de 2007

No sonho de sonhar contigo
esqueci as horas
e perdi a luz
que ao longe esmorece.

Abismo no olhar,
olhos postos
na linha imaginária do poente
barreira onde mergulha suspensa
a última luz
ou tudo o que resta
de todos os sonhos.

Março 06, 2007

Estranho sentir


Flora, Porto, 4 de Março de 2007

Se o amanhã vier
pleno de silêncios camuflados
e pedaços de sal
diluídos num olhar
a sombra dos abutres tingirá a terra
indicando o caminho.

Estranho o sentir
de sonhos pálido
procurando triste
os que partiram
na ânsia de um consolo
dos que ficaram.

Sente-se quase tudo,
um quase nada de sonho
que ainda resta
no triste afundar
lento e plácido
do gigante abençoado.

Repetição


Pétala, 2 de Março de 2007

Um eco,
projecção entre silêncios
desejo de repetição
à boca da noite.

Um dia a repetição será recusa
e o desejo de renovação
uma busca necessária,
basta a noite querer
e a luz em falta chegar
livre e solta
para nos iluminar,
para nos aquecer,
para nos confortar
quando os dias forem mais curtos,
quando tudo tiver acabado,
quando o sono vier,
o sonho em choro partir
e o desejo de repetição nos assolar.

Fevereiro 28, 2007

No apagar lento dos dias


Num banco de jardim, Porto, 24 de Fevereiro de 2007

Vive num quarto verde-escuro
voltado para o mar,
recorda sozinho
no apagar lento dos dias
os tons suaves
que pintavam os dias de inocência
passados no aconchego de um colo
perto do céu.

Pensa que não sente
ou que já só sente
o que não pensa
mas continua a sentir
a cada instante que passa
que o passo do tempo
lhe rouba um pouco mais
do paraíso perdido.

En toda parte tú presencia


Espelho d'água, Vale de Cambra, 20 de Fevereiro de 2007

Atardecer de matices dorados
bajo el susurro de los arroyos del bosque.

A cada paso
los colores de la incandescencia
en hojas de árboles
tumbadas en el suelo.

Otoño en el horizonte crepuscular
y en toda parte tú presencia.

Fevereiro 27, 2007

E assim ancorou...


Ancorado, Gafanha da Nazaré, 25 de Fevereiro de 2007

E assim ancorou após mil e uma viagens por tantos mares: vivo e desperto permanece ouvindo o mar no seu bramir constante aprendendo o exclamar ofegante das águas quando tocam a pedra gasta. A quem dele se acerca conta, com a sua voz de lamento, os tormentos que nele passavam todos os embarcados quando em dias de saudade só o mar lhes dava guarida. Vem do mar essa voz de saudade, só ela pode ser testemunha desses dias de maré-baixa, só ela e a orla do dia sob a qual me abrigo do ar fresco pressentido da manhã.

Fevereiro 25, 2007

Nascente e poente


Gaivota, Cabo Espichel, 1 de Outubro de 2006

Luz nascente,
em ti os sonhos por viver
(guardados pelo tempo
embalados pelo mar)
num dia por chegar.

Luz poente,
em ti os sonhos vividos
(ancorados no tempo
aconchegados no mar)
sem pressa de acabar.

Luz nascente,
em ti as lembranças por esquecer
(guardadas pelo tempo
embaladas pelo mar)
num dia por chegar.

Luz poente,
em ti as lembranças esquecidas
(ancoradas no tempo
aconchegadas no mar)
sem pressa de acabar.

Fevereiro 24, 2007

Labirinto de razões


Luz e sombra, Porto, 24 de Fevereiro de 2007

Um labirinto de razões
embala o destino já traçado,
o desejo de ficar alcança
a obstinada vontade de fugir.

Caminhos de breu
adormecem os sentidos
e pela manhã
risos cinzentos sopram do mar.

Correr para lá do tempo
através do sonho
que se cruza num pensar vazio
exausto de sentimentos.

Fevereiro 20, 2007

Horizonte longínquo


Nuvens no poente, Serra da Freita, 20 de Fevereiro de 2007

Perdido no horizonte longínquo
aberto ao vento que sopra indiferente
o olhar repousa entre pedras e silêncios.

Ao longe um pouco de tudo,
um sonho em cada instante
uma saudade apertada
e o murmúrio dos ribeiros.

Esmorece a luz do poente
orla distante a perder-se de vista
tempo fugaz sem pressa de acabar.

Fevereiro 18, 2007

Contradições


Gato preto, Praia de Angeiras, 11 de Janeiro de 2007

Luz permanente
sombra constante
a espiga de milho
num campo por semear.

A cara descontente
de uma criança que ri
o verme na cereja
metamorfose de amor.

O que seríamos sem emoções?
Pedaços de nada à deriva.
O que seríamos sem lágrimas?
Olhares distantes em terras sem mar.

Fevereiro 15, 2007

Partida


Janela, Oliveira do Douro, 13 de Novembro de 2006

Restou o lamento doce do mar
agora que partiste para longe
nesse caminho rumo ao bosque
refúgio sem tempo de acabar.

A sombra imperiosa da lembrança
recolhe-se nas pétalas do silêncio,
poderosa imagem de alguém
sonhando ainda com o mar.

Inquietude branca no pensamento
povoa a indefinida noite
coberta pela chuva morna de lamentos
e o manto escuro das memórias.

Fevereiro 14, 2007

Llegas por fin...


Luz do poente, Porto, 5 de Maio de 2006

Llegas por fin al lugar ansiado
tu silencio soltándose
en un soplo de viento
hacia el horizonte crepuscular.

Ahí estás delante del mar,
en el agua un reflejo de tus ojos
luz suave bogando en la espuma blanca
que de tus pasos se acerca.

Amplio como tu mirada
es ese espacio añorado
abierto de par en par
a todas las ilusiones.

Tus sueños
mis sueños
nuestras miradas cruzándose
en un solo sueño.

Delante de mi solo el crepúsculo
y tus propios ojos hechos horizonte.

(Ya nada más importa
si conmigo miras al mar).

Fevereiro 13, 2007

Estrada de nevoeiro


Mar de ilusão, Porto, 1 de Maio de 2006

A caminho do mar
a estrada desaparece entre a bruma
pensamentos atlânticos à beira mágoa
enleados pela maresia.

Na estrada de nevoeiro
a caminho do mar
turvam-se os sentidos
sob o passo cansado.

Para onde caminhas agora
meu coração iludido?
Nem a tormenta te alivia do sonho
nem a maré te dissolve a saudade.

Fevereiro 09, 2007

Alma de mar


Espuma, Praia de Miramar, 9 de Janeiro de 2007

Alma de mar,
visão que acalenta os dias sombrios
e acolhe todos os sentidos.

Alma de névoa,
visão definida à orla da noite
consumada no orvalho da manhã.

Alma de sal,
visão revelada a cada instante
nas distâncias da saudade.

Alma de vento,
visão que guia a esperança
no inquieto correr dos dias.

Alma de luz,
visão colorida pelo poente
imagem luminária à boca da noite.

Alma de vida,
visão pressentida na maré
deslumbramento sem tempo de acabar.

Fevereiro 08, 2007

Menino pescador


Menino na Ria, Torreira, 7 de Maio de 2006
.
Menino pescador,
grande é a ilusão que te faz correr
e acreditar em promessas vãs,
quimeras,
desejos por cumprir.

Menino pescador,
lança às aguas a tua rede
e recolhe dela todos os sonhos,
esperanças,
vontades.

Fevereiro 07, 2007

Veloz


Velocidade, Porto, 18 de Setembro de 2006

Vem de longe,
veloz,
fugindo à ruína translúcida
do tempo parado.

Para nos iluminar
para nos aquecer
para nos confortar,
a luz.

Fevereiro 06, 2007

À espera


Banco, Praia de Angeiras, 11 de Janeiro de 2007

Há um adeus a sair do mar,
das águas profundas
onde navega aquele
por quem um olhar perdido em terra
anseia já o regresso.

Vento amargo este que seca
as lágrimas dos que ficaram
à margem,
na praia,
à espera.

Fevereiro 05, 2007

Dos sonhos...


Luz da memória, 10 de Janeiro de 2007

Sonhos são verdades de espuma
flutuando nas águas do pensamento,
destroços perdidos num porto de abrigo
vogando inquietos à orla da noite.

Esperam por nós com vozes de vento,
embalam a alma cansada
recolhida no repouso da ilusão
que de um rasgo a atravessa.

Sonhos são imagens de água,
trilhos vãos que se esquecem
quando a manhã desperta
sobre a bruma da memória.

É sonho o sonho que temos
de sonhar o já sonhado
haurindo da lembrança
a saudade que nos faz sonhar.


Fevereiro 04, 2007

Retratos de Inverno




Cogumelos e Ramo de carvalho, Pedroso, 4 de Fevereiro de 2007

As folhas caíram lentas amarelecidas por um sol que agora repousa, sereno, mas que aquece os corpos gelados ao romper as brumas e nevoeiros nos dias frios de Inverno.
Pelo chão, os segredos do bosque revelados a cada passo pintam de amarelos e castanhos as orlas das árvores que, despidas, esperam com o seu porte de certeza o despertar de todos os tons.



Folhagem de inverno e Cogumelo, Pedroso, 4 de Fevereiro de 2007



Fevereiro 03, 2007

Post-Scriptum


Descanso na areia, Praia de Miramar, 18 de Janeiro de 2007
.
Não sei se ainda existe
mas teimo em procurá-la,
aquela praia,
onde os sonhos eram mais profundos
e as miragens mais reais.

O mar hoje está mais azul
reflecte o céu que o acompanha
não o vejo mas sinto-o, abraço-o
choro com ele
e a saudade salgada
entranha-se no meu corpo.

A minha praia partiu,
já só lhe sinto o vento
que soprava ao final da tarde
e trazia de volta
a alma dos que perdi.

Fevereiro 02, 2007

Memórias do bosque


Folhas, Mata de Albergaria, Gerês, 14 de Outubro de 2006

A árvore morreu de pé,
olhando para ela
só se vê o que ficou:
marcas do presente
riscadas a giz sem cor.

Repousa calma
no bosque lacerado
onde outrora passaram homens,
correram crianças,
seres encantados e por encantar.
Viu passar guerreiros
rumo a muitos combates,
olhares que tombaram
e que o tempo olvidou.

Agora, no bosque,
só as memórias passadas
compassam o tempo
num murmúrio lento,
esparso e loquaz.

Fevereiro 01, 2007

O cais de partida


O Tejo em Alfama, Lisboa, 1 de Outubro de 2006

Vem de longe a líquida vida que da lezíria se espraia e chega à cidade branca com ânsia de além-mar. A cidade adormecida, desperta com a saudade que por ela escoa desde o dia em que os lenços dos primeiros que ficaram, aconchegaram as lágrimas dos primeiros que partiam daquele tão amargo cais de incerteza. Colinas descem ao Tejo sonhando esse mar imenso que ali perto se agiganta e invocam, dolentes, as naus que há muito partiram sem nunca mais voltar.

Janeiro 31, 2007

A árvore dos possíveis


Árvore, Serra da Freita, 28 de Janeiro de 2007

Do céu aberto à noite
levedam tons escuros
numa sombra azul que desmaia
sobre a árvore já cansada.

Um labirinto de memórias
atravessa o pensamento
na fronteira impossível
entre os possíveis e tudo o que não existe.

Janeiro 30, 2007

À janela da memória


Luz na sombra e Aberta ao tempo, Oliv. do Douro, 11 de Novembro de 2006

O relógio de sala parou
na hora do silêncio.

A casa vazia
exposta ao vento
das memórias passadas
é um livro aberto de recordações.

Ainda existirão recordações?
Ou secaram com o tempo
que custou a passar?

À janela da memória
sentam-se sonhos,
vontades,
sente-se o sopro salgado do mar.

Ainda existirá mar?
Ou só água e sal
vogando sobre o chão?

O fogo da lareira perdura
na encruzilhada do tempo.

O frio que vem de fora


Gelo, Serra da Freita, 28 de Janeiro de 2007

O frio que vem de fora
trá-lo o vento ao assobiar
cada instante da tua ausência.

Que vente, que gele!
Porém, jamais terei frio
sempre que vieres para me agasalhar
com a claridade tépida do teu olhar.

Janeiro 29, 2007

Domingos à segunda


Na estrada, A28 Leixões, 11 de Janeiro de 2007
.
Domingos não gosta de segundas-feiras nem tão pouco dos domingos uma vez que ao domingo turva-se-lhe o pensamento quando cogita sobre a inevitabilidade de mais uma segunda-feira no horizonte.
O despertador toca impreterivelmente às 6:42 da manhã de mais uma impreterível segunda-feira mas para Domingos que não gosta de segundas-feiras é como se ainda fosse domingo até às 6:58 de segunda-feira, hora exacta a que soa pela última vez nessa segunda-feira o trrim trrim do despertador que todas as segundas-feiras o faz levantar da cama a correr para o duche e acto contínuo ao encontro da primeira refeição de segunda-feira.

Domingos sai para o trabalho a bordo do seu Fiesta. Imobilizado pelo tráfego intenso do início da manhã, veementemente intenso nessa manhã por ser segunda-feira e estar a chover, consegue desatar-se dos diversos nós de acesso ao centro da grande cidade e chegar finalmente ao escritório embora sem evitar um ligeiro atraso que logo pensa estar na origem da má disposição do chefe que, por ser segunda-feira, lhe parece estar ainda mais embirrento.
Por ser segunda-feira encontra o dobro do trabalho habitual e dá por si particularmente atolado em papelada arrumando e desarrumando um nunca mais acabar de dossiers sobre a actividade da empresa de import-export para a qual trabalha. Culpa a segunda-feira por não conseguir tão prontamente quanto deveria, executar todas as tarefas que necessariamente terá de cumprir até terminar o expediente de segunda-feira.

Domingos regressa a casa no seu Fiesta vinte minutos mais tarde do que é habitual e literalmente farto do trabalho dessa segunda-feira. São 17:50 e apesar da chuva ter passado não tem interesse em desfrutar do entardecer dourado que o final de tarde de segunda-feira lhe proporciona mas que lhe parece uma insignificância.

Já em casa, na esperança de dar a segunda-feira por terminada prepara o despertador para o dia seguinte e percebe que afinal é terça-feira. Sem se aperceber, faltara ao trabalho passando a segunda-feira a dormir na ânsia de chegar a terça-feira. A terça-feira, essa, correu-lhe pessimamente mal.

Entre os ramos


Ramos despidos, Serra da Freita, 28 de Janeiro de 2007

Entre os ramos um mundo por descobrir, entre os ramos um trilho por encontrar onde não importa chegar somente partir. Entre os ramos caminhar e, por instantes, parar para ver, entre os ramos, os olhares errantes que fogem desencontrados. Entre os ramos o fio do tempo que se julgava parado, onde estão os deuses do tempo? Voltarão na manhã de todas as ilusões ou mesmo na noite que agora começa a tombar, entre os ramos, em abraços e promessas de aparição. Entre os ramos desejar poder reencontrar o teu olhar perdido.

Janeiro 28, 2007

Inquietude


Quase noite, Cabo Espichel, 27 de Agosto de 2006

Perduram fragmentos esquecidos
na solidão inquieta da noite
vozes de um passado presente
que se pressente ser futuro.

Não há no céu enegrecido
a quem entrego meu coração perdido
vestígios do teu olhar
sereno farol gotejando de luz.

Sublime expressão do tempo a passar


Luz e tempo, Foz do Douro, 13 de Janeiro de 2007

Anoitece,
ao longe a barreira mal definida
entre o sonho e o real
entorpece os sentidos.

Do sonho aberto às águas
a sublime expressão do tempo a passar
descanso de baloiço bonançoso,
lânguido e sereno.

Janeiro 27, 2007

No cais


Deixando o cais, Aveiro, 21 de Janeiro de 2007

Afinal embarcou não sabendo ainda para onde, perdido entre os olhares que se cruzam no cais. Enche-se o ar com o estridente ruído de um som mal definido, chega de fora mas rapidamente plana dentro de cada um dos que anseiam no porto.
Agora é a viajem, ruma sem rumo no navio que o escolheu, é indiferente pensar para onde navega, tudo à volta está vazio, só há o nada que afinal é tudo o quanto consegue sentir. E no cais da memória muitos rostos para sempre à espera…

Janeiro 26, 2007

Tríptico

Entre dunas, Praia de Miramar, 9 de Janeiro de 2007
mm
Olhando as nuvens espraiadas sob um céu azul de muitos tons, o murmurar das ondas por dentro da ilusão de uma réstia de luz.